Às vésperas da Black Friday, educadora faz alerta sobre cultura de consumo entre crianças e adolescentes


Às vésperas da Black Friday, a assessora pedagógica do Sistema Positivo de Ensino, Adriana Soares Ralejo, trouxe reflexões sobre os efeitos nocivos da data entre crianças e adolescentes. Em entrevista à Banda B nesta quarta-feira (25), a especialista destacou o papel dos pais e das escolas em relação a esse momento tão aguardado pelos consumidores.

Anúncios de produtos com grandes descontos tomam conta das redes sociais, canais de televisões, rádios e fachadas de lojas quando a última sexta-feira de novembro se aproxima. Ralejo explica que o excesso de mensagens publicitárias em meio a este grande evento acaba exercendo um grande poder de influência sobre as decisões de compra de uma família em relação a produtos e serviços.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Lojas dos mais diversos segmentos, no entanto, costumam divulgar suas promoções antecipadamente, o que gera expectativas e vontades entre não só os adultos, mas também entre o público infanto-juvenil. A urgência de compra e de necessidade é fortemente atrelada aos anúncios da Black Friday, conforme explicou a também doutora em Educação.

Contudo, Adriana, que é assessora pedagógica de história, filosofia e sociologia do Sistema Positivo de Ensino, destaca que é necessário se atentar ao hábito excessivo de consumo. “Todos nós temos necessidades de consumir, tanto bens materiais quanto imateriais. Então, não podemos colocá-lo com uma conotação somente negativa. Ela se torna prejudicial a partir do momento em que não sabemos medir esse consumismo”, afirmou.

Para tal reflexão sobre a influência do mercado e indústria publicitária, e da cultura do consumo, a educadora compartilha conceitos do sociólogo francês Pierre Bourdieu: “Nossas escolhas não são individuais, elas são socialmente construídas e impostas. Nossas seleções sobre aquilo que optamos e queremos consumir estão fortemente relacionadas com ideias de status social, prestígio e poder”.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Além disso, Ralejo esclarece que os pais devem se atentar à imagem que passam aos filhos em relação aos costumes. Para a profissional, são eles os ‘espelhos’ das crianças. “Quando os pais adotam essa cultura consumista que estimula o sentimento de preenchimento ao adquirir bens, eles acabam transmitindo essa mensagem às crianças”, observou.

Em relação ao espaço de aprendizagem constante, as escolas, Adriana diz encarar a instituição como um lugar de questionamento, onde existe a possibilidade de ver o mundo com outros olhares.

“A matemática, por exemplo, pode levar ao aluno o conceito de valorização do dinheiro e como ele é aplicado. A escola como um todo pode conscientizar os alunos, em diversas áreas do currículo pedagógico”, avaliou.

Ao concluir, ela criticou a forma como a Black Friday é direcionada aos consumidores e quais são os efeitos do evento. Porém, ressaltou a importância dos cuidados com as crianças e adolescentes. “O cuidado com crianças e adolescentes diante dessa cultura consumista deve ser integral, e não só nesse período da Black Friday”.

E completou: “Ela reforça a cultura do consumo, da aquisição. É importante fazer essa análise sobre como a semana de promoções pode gerar não só angústias por não ter, mas também a desigualdade social”.



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